segunda-feira, 26 de março de 2012

Andrea Lamana - Dança Contemporânea

Andrea Lamana é bailarina, criadora e professora. É fundadora e diretora da Jexe!, Centro Educativo para o Desenvolvimento das Artes Cênicas. Faz parte da equipe de docentes da carreira de Formação do Ator no Instituto de Atuação de Montevidéu. Trabalhou em diversas áreas artísticas como teatro, vídeo-arte e dança, em colaboração com artistas como Gimena Fajardo, Ana Oliver, Sofía Etcheverry, Miguel Grompone, Martín Inthamousu y Gabriel Calderón. Tem se dedicado ao estudo da dança contemporânea no Uruguai e no estrangeiro com mestres reconhecidos internacionalmente: Adriana Belbussi, Graciela Figueroa, Nienke Reedhorst, Alexis Eupierre,  Martin Keogh, David Zambrano y Denis Plassard. Complementa sua formação com prática de artes marciais, o Aikido, um caminho que tem sido um importante estímulo para suas criações.

Espetáculo
Andrea apresentará Mp4, projeto de investigação coreográfica e de improvisação espontânea. O valor da dinâmica deste trabalho não está na expectativa do que se vai ver, receber e consumir como objeto acabado, mas na riqueza da produção coletiva improvisada no momento da apresentação, nutrindo-se da simplicidade do encontro. A ausência de “suposições” garante o caráter absoluto de reflexão.
Situada no presente e construindo presente, esta obra de quatro atos breves, convida o espectador a participar ativamente da criação e encenação, buscando no momento da realização que o espectador enquanto colaborador se reconheça fabricante responsável da realidade.

Oficina
“Habitar e acontecer o movimento” está centrada em abordar e habilitar ferramentas para execução e criação, utilizando seqüências de movimentos que envolvam o corpo em relação a respiração, a diferenciação do tônus muscular, a identificação articular e a economia de movimento.
A oficina enfatizará a consciência em conexão com o corpo: sua relação com o solo, com o espaço, com o peso e com a gravidade. Para contribuir com a exploração e construção do movimento como linguagem própria, o trabalho na oficina estará embasado em exercícios de Aikido que estudam os conceitos de direção, projeção e centro.

Para maiores informações sobre o Vértice Brasi 2012, a programação e inscrição, acesse o site www.verticebrasil.net

quinta-feira, 22 de março de 2012

Vicky Cortés - dança e teatro

Vicky Cortés tem uma extensa experiência como intérprete tanto na Costa Rica como em outros países como Suíça e Alemanha. Na Costa Rica trabalhou com os coreógrafos mais representativos e formou vários grupos independentes. Na Alemanha trabalhou sob a direção de Pina Bausch (STF e Tanztheater Wuppertal) e Linke Susanna (Tanztheater Bremen) como bailarina convidada.

Desde 1998 trabalha como coreógrafa, diretora e dançarina de forma independente onde a coordenação dos trabalhos se dá de forma aberta com a adição de intérpretes ou pessoas de diferentes disciplinas artísticas, de acordo com as necessidades e as condições nas quais trabalha um autônomo; ou como convidada em projetos específicos.

A artista estará apresentando o espetáculo de dança-teatro “O Jardim Inclinado”, que se baseia no mito grego de Orfeu e Eurídice. Esta peça foi realizada no Porto de Veracruz, México. Orfeu, o grande poeta e músico se casa com Eurídice, a ninfa. Eurídice é picada por uma serpente e morre. Orfeu desce ao inferno para resgatar Eurídice e trazê-la de volta a vida com a condição imposta por Hades, de não vê-la até chegar a luz da Terra (se ele a ver ela morrerá para sempre). Mas Orfeu não resiste e olha para Eurídice.

Além do espetáculo, Vicky dará a oficina “Fronteiras Corporais: Dança para atores ou atuação para bailarinos?”, cuja proposta é abordar a linguagem do corpo e sua presença. Será desenvolvido um sistema de aquecimento que inclui mobilidade articular, relações de umas partes do corpo com outras, diversos pontos de partida, trabalho de pesquisa no relaxamento-tensão para reconhecer a economia de esforço na organicidade própria.

Serão trabalhados principios da técnica de contato para aprofundar a percepção e a confiança, ampliar a comunicação sensitiva e trabalhar com a sensação do corpo de maneira organizada. Improvisações serão feitas a partir da motivação, das relações, do espaço próprio e geral. Todas estas especulações colaboram para descobrir e ampliar qualidades na própia expressão.

No site do Vértice você encontra as informações sobre Vértice Brasil e também sobre a programação e inscrição!

terça-feira, 20 de março de 2012

Violeta Luna - Performance

Este ano contamos novamente com a participação de Violeta Luna: atriz, performer e ativista que trabalha dentro de um espaço multidimensional, no cruzamento das fronteiras estéticas e conceituais, usando seu corpo como um território de questionamento acerca dos fenômenos sociais e políticos. Violeta reside em São Francisco e é artista associada dos coletivos de performance "La Pocha Nostra" e "Secos y Mojados".

No último Vértice Brasil a artista apresentou "Apuntes Sobre la Frontera", performance que aborda a condição do imigrante que deixa seu país para ir buscar melhores condições de vida. Tema especialmente forte para os mexicanos, que fazem fronteira com os EUA e lidam diariamente com a tensão e violência frutos desse “cruzamento de fronteiras”.


Foto de Pia Siliceo
Foto de Pia Siliceo

Em 2012 Violeta Luna apresenta a performance "NK603" uma reflexão sobre o desenvolvimento do milho geneticamente modificado e suas conseqüências devastadoras para a vida. O milho é uma das principais fontes dos alimentos tradicionais dos  habitantes do sudoeste americano até a Patagônia e desempenha papel simbólico nos rituais de povos dessas regiões. A performance é pontuada por intervenção ativa de vídeo e música eletrônica. As ações da performer entram diretamente em conflito com imagens violentas e subversivas, como uma espécie de ritual de memória e resistência à invasão constante da tecnologia e das forças do mercado que ameaçam o modo de vida de comunidades inteiras.

Violeta também estará dividindo seu processo de criação artístico através de uma oficina de 12 horas de duração, no qual trabalhará com os participantes o entendimento do corpo como território de criação cujas ações desenvolvem-se a partir de complexidades pessoais de memória, identidade e sentido individual e social de raça, gênero e sexualidade. Alguns dos temas que serão abordados são: O Corpo (exercícios experienciais, presença e energia interna); O Espaço (relação com o ambiente, intervenção de espaços públicos e privados); El Tiempo (real, fictício e ritual); A Ação (criação in situ, reação, estímulos reais e fictícios, interação com o público); Práticas de Ação utilizando objetos comuns.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Car@s Amig@s! Dear Friends!


As inscrições para o Vértice Brasil 2012 - T(i)erra Firme estão abertas de 05 a 31 de março de 2012!

The application for Vértice Brasil 2012 - T(i)erra Firme is open from March 5th to 31st/2012!


O Vértice Brasil é um encontro e festival de teatro feito por mulheres ligado à rede internacional The Magdalena Project.
Vértice Brasil is a women theatre meeting and festival connected to the international network The Magdalena Project.

Para maiores informações e inscrições, entre em nosso site www.verticebrasil.net
For further information and application, visit our website www.verticebrasil.net

Por favor nos ajude a divulgar esta notícia!

Please help us spread these news!

domingo, 22 de janeiro de 2012





Olá Meninas e Meninos!

Hello everyone!

 

Convidamos todos para participar, em 2012, da 3ª edição do Vértice Brasil, que
acontecerá entre os dias 08 e 15 de julho, em Florianópolis/SC.

We would like to invite you to join the 3rd edition of Vértice Brasil, which will take
place from July 8th to 15th 2012 in Florianópolis / SC, Brasil.

Neste ano, o vértice é a América, e T(i)erra Firme representa nosso empenho em
construir e consolidar o Vértice Brasil, e em querer oferecer em 2012 uma terra firme
para que pessoas de diversos lugares do continente americano possam encontrar a
solidez necessária para depositar seu trabalho, suas dificuldades, suas lutas, suas
conquistas, suas dúvidas.

This year, the vertex is America, and T(i)erra Firme represents our commitment to build and consolidate Vértice Brasil, and the desire to offer in 2012 a place where people from different parts of the Americas can find the confidence necessary to deposit their work, their difficulties, their struggles, their achievements, their doubts.

Estamos fechando uma programação que abraça mulheres artistas de diferentes partes
da América, buscando novas relações, mas também reafirmando laços e aprofundando
parcerias.

We are preparing a programme that embraces women artists from different parts of
America, seeking new relationships but also reaffirming and deepening partnerships.

Em breve divulgaremos mais informações sobre a programação!

Soon we will be sending more info about the programme.

Um grande abraço,

Best Regards

Equipe Vértice Brasil

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

QUE VENHA 2012

Nesta foto: Julia, Rafael, Nilce, Monica, Barbara, Marisa, Glaucia.


Captura de um instante!
Reunidas para celebrar o final de ano e ansiosas e felizes com o ano que virá!!!


Desejamos  um 2012 de encontros, trocas, descobertas, renovação, parcerias, saúde e amor!!!


Um forte abraço da equipe do Vértice Brasil - 
Barbara, Cleide, Glaucia, Marisa, Monica e Nilce. 
E dos queridos parceiros - 
Jefferson, Marcos, Murilo, Ricardo, Roberto G. e Roberto F. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011


ENCONTRO INTERNACIONAL MAGDALENA SEGUNDA GENERACION
MUJER TEATRO Y OFICIO


Barbara Biscaro


“Un viajero con mochilas o com valijas, cualquiera que sea su status o condición social, es un hombre que busca. Se hace preguntas, y tal vez el viaje sea una primera respuesta a sus interrogantes. Puede que en su lugar encuentre más preguntas, o se dé cuenta definitivamente de que el hombre es una pregunta.”
(Marcos Rosenzvaig)


Estava no aeroporto voltando do encontro internacional Magdalena Segunda Generación: Mujer, Teatro y Oficio, quando abro um livro recém-comprado em uma livraria de Buenos Aires sobre Tadeusz Kantor e paraliso neste parágrafo citado acima. Muitas vezes durante uma viagem ou até mesmo durante o retorno para casa, me pergunto constantemente o sentido de viajar. Viajamos muitas vezes sem dinheiro, sem conforto, nos propondo a trabalhar incessantemente. Uma viagem, principalmente quando se viaja sozinha rumo a um contexto desconhecido, representa uma série de interrogações, muitas vezes mais profundas do que podemos suspeitar na superfície deste ato de mover-se. Neste sentido, quando li o parágrafo acima, pude perceber que neste permanente processo de busca, o que me move não são necessariamente as respostas que procuro, mas as perguntas que me colocam em movimento. E este sentido de viajera é a alma de um encontro como o Magdalena 2a Generación, na Argentina: sair de casa (de nossas ilhas individuais) e cruzar distâncias rumo ao outro.

Claro, lembrando das aulas de Lúcia Sander e dos diversos momentos do encontro em Buenos Aires e Dolores, na mesma epígrafe, faria apenas uma mudança: acrescentaria junto à palavra “hombre” a palavra “mujer”... recordando que Lúcia insistiu: devemos nominar a mulher, não aceitar a generalização do gênero humano enquanto gênero masculino, como um exercício constante de construção da memória feminina também no universo da palavra escrita.
vista da cidade de Dolores

É emblemático ler esta frase depois de sete dias intensivos em Buenos Aires e Dolores, com todas as 'chicas' e 'chicos' que com suas malas e mochilas, viajaram com suas perguntas pessoais para compartilhá-las em um momento único. Imposssível então, não pensar nas “Viajeras”, de Natália Marcet, Natália Tesone, Marcela Britto e Laura D'Anna, buscando seu circo perdido ou inexistente, guiadas pelo puro prazer de buscar: buscar incessantemente, mesmo que não se saiba claramente o que se está buscando. Este é o espírito dessas mulheres e homens que se reúnem em um encontro como esse: perguntar-se acima de tudo, e encontrar em muitas outras pessoas (que até o dia anterior eram desconhecidas) um mesmo desejo de transformar a si mesmo, a sua prática, e renovar o sentido de estar diariamente empreendendo uma jornada artística com todas as suas dificuldades, seus prazeres, suas alegrias e suas delimitações.

Tentando fugir do academicismo, mas ao mesmo tempo tomada pelo meu momento pessoal de escrita de uma dissertação de mestrado, lembrei do filósofo Bento de Espinosa e sua definição da ética através da metáfora dos bons e maus encontros. Gilles Deleuze explica que “para Spinoza há uma variação contínua - e é isso que 'existir' quer dizer - da força de existir ou da potência de agir […]”. Isso quer dizer que, dentro de todas as variações possíveis que envolvem a vida e a existência, quando realizo um bom encontro com alguém, este encontro aumenta a minha potência de existir, e por consequência minha potência de agir; quando realizo um mau encontro, este encontro diminui ou inibe a minha potência de agir, me enfraquecendo.  Impossível não estabelecer um paralelo entre esta ideia e a prática do que acontece em um encontro Magdalena: dentro de dezenas de possíveis encontros entre pessoas, aumentamos nossa potência de agir em nossos locais de origem por consequência de diversos 'bons encontros', que frutificam nossas possibilidades enquanto mulheres e artistas. E nesse sentido, o encontro internacional Madgalena 2a Generación foi um grande possibilitador dos 'bons encontros'.
Cecilia Ruiz, Laura D'Anna, Silvia Vladmivsky, Natália Tesone e Lúcia Sander

Cito Espinosa e meu academicismo temporário também porque tenho refletido muito sobre as formas de registro de momentos tão especiais como estes, sendo as palavras e o texto escrito uma das formas de registrar o passado. Empreender uma espécie de caminho inverso, quando o registro qualifica uma reflexão a partir de elementos reais e práticos, vividos no corpo: um encontro entre pessoas, o compartilhar de práticas artísticas, conviver entre a comida, o sono e o cansaço. Desta forma sonho com o ato de registrar como um ato criativo. Assim como se busca fazer da voz falada um modo de tornar viva a palavra escrita no teatro, posso buscar a vida na palavra escrita quando ela dá forma a uma vivência muito forte como a que passamos juntas na Argentina neste período.

No espetáculo de Helen Chadwick, “Dancing in my mothers arms”, no chão está traçada uma diagonal de objetos, sons, sabores e memórias. Traçar estas diagonais dentro de nós mesmas significa talvez, como faz Helen, cantar nossas próprias memórias, cantar como um modo de ser ouvido e de ouvir a si mesma. Cantar como se não houvesse amanhã. As ausências, como falaram de forma linda Hildy Quintanilla Ocampo e Lúcia Sander, marcam essa minha reminescência: só porque uma coisa não pode ser lembrada, não quer dizer que ela não aconteceu. Só porque uma pessoa não está, não significa que ela não exista ou não existiu. Exatamente por isso é necessário celebrar a memória, como faz de forma tão linda Ya Ling Pen, ou como podemos sentir em “Semillas de Memória”, de Ana Woolf.

Na tarde que passei em Buenos Aires fazendo hora para pegar o avião, fui ao cinema, exausta, com todas as minhas malas, mochilas e perguntas fervilhando na cabeça. Tive sorte: vi o filme “Violeta se fue a los cielos”, sobre a vida e obra da cantora chilena Violeta Parra, mulher extraordinária que aos cinquenta anos de idade, depois de uma vida lutando pela memória musical do cancioneiro popular seu país, se suicida com um tiro, sofrendo por amor. Me peguei chorando uma tarde, em um cinema qualquer de Buenos Aires, pensando em cada uma das mulheres que conheci nesses dias, pensando em bons e maus encontros, em quem estava esperando por mim em casa e quem eu não sabia se veria novamente. Lembrei de minha avó paterna, outra semente jogada em meu coração nos dias de viagem deste encontro.

Nesse mesmo dia, ao chegar no aeroporto, sem nem mesmo esperar, encontro Ya Ling Peng na porta do embarque. Rimos juntas, comprando alfajores e quando me despedi dela, em direção ao meu voo, me deu uma vontade enorme de parar, levantar minha mão direita em um gesto lento de adeus, puxar um fio imaginário do alto da minha cabeça, arrancá-lo e silenciosamente dizer: Adeus Argentina, hasta luego!

Mas para entender mesmo esta minha sequência de gestos de adeus, só mesmo tendo vivido o que se passou nesses dias especiais, memória que partilho nesse pequeno espaço com as companheiras de trabalho em Buenos Aires e Dolores, que compartilharam umas certas 20 quadras entre um cemitério e uma praça, em um  outubro/novembro de 2011. Gracias a todas e todos!